Estamos mais próximos do estranho caso de Benjamin Button?
Nunca me canso de ver o filme O Estranho Caso de Benjamin Button. De cada vez deixo-me surpreender por uma nova perspectiva. E há várias. E nunca deixo de ficar rendida ao facto de Benjamin Button ter começado a viver de verdade lá para o meio da sua vida. Mesmo seguindo ‘ao contrário’ de todos nósJ
O que me faz pensar: serei eu assim tão diferente? Seremos nós assim tão diferentes? Nem por isso. No meu caso, parece que a minha vida ressurgiu ali ao redor dos quarenta. E parece-me que aconteceu o mesmo com outras pessoas que vou conhecendo e com quem vou trabalhando. Quando temos sorte, a vida pode acontecer de novo, de facto. E os quarenta são os novos vinte. Ou trinta, depende das preferências.
Estamos então assim tão próximos de Benjamin Button? Mais do que isso: estamos a ganhar maturidade enquanto nos (re)aproximamos do nosso melhor enquanto éramos crianças.
Recordo-me, quando em criança, de fazer o que quisesse, de pôr as mãos na massa agora, para ver acontecer JÁ, de matar a cabeça à procura de novas formas de responder aos desafios, de me deixar ir pelo cheiro o mar, pelo som do vento, pelas conversas dos adultos à minha volta. Todos os dias, essa era a certeza, seriam melhores do que os anteriores: pelas aprendizagens, pela evolução, por estar mais perto da minha melhor versão.
Até começar a ter consciência de que haveria um certo código de conduta. De funcionamento individual e em sociedade. Sem que houvesse regras claras, óbvias e com sentido, comecei – como muitos de nós – a agir perante o que poderiam ser regras. A funcionar como poderia ser o esperado. Tudo muito mais centrado na minha interpretação sobre os outros. E menos sobre mim.
Tinha chegado, oficialmente, à era da dúvida. Da incerteza e da insegurança. Eu e mais uns milhões mundo fora. Uns mais cedo, outros ao mesmo tempo e outros a caminho de.
Depois de reconhecer o caos, estava na hora de voltar atrás. Como o Benjamin Button, estava na hora de ir a caminho da fase ‘criança’, livre e cheia de vontade de evoluir. E uma vez mais, não estava sózinha no caminhoJ
Regressar aos tempos de criança não significa regredir. Perdermo-nos no passado que já lá vai. É antes recuperar o que já sabíamos fazer na altura, com desprendimento, com coragem e com desenvolvimento. É voltar a fluir.
É, no caso de quem quer recuperar o domínio de comunicar, reencontrar o carisma, a assertividade, a frontalidade, o humor, o que for a nossa melhor característica. E avançar mais forte!
Voltei a pensar no Benjamin Button. Na sua linha de vida ao contrário. Aparentemente no sentido inverso. O mesmo que nos acontece (ou pode acontecer, se tivermos essa sorte) a nós, que avançamos nas segundas oportunidades. E nas terceiras, já agoraJ Mas não será só isso. Button é o exercício da coragem. Da coragem de mudar e mudar e mudar. Porque precisa de aprender a andar enquanto ainda lhe dói a curvatura da velhice, e depois para ir à descoberta do mundo, da guerra, do amor, da família e de qualquer outra coisa. Ele ia, simplesmente. Como nos podemos ir, avançar com coragem para algo que é nosso. Está cá dentro. Assim haja coragem!
Be Great!